Dicas da ciência para você arrasar no presente!

O famoso jornalista americano, Bob Phillips, disse que existem três estágios da pessoa no Natal: 1.Ela acredita no Papai Noel; 2.Ela não acredita mais em Papai Noel; 3.Ela vira o Papai Noel (ou Mamãe Noel). Brincadeiras à parte, existem muitas pesquisas sobre a psicologia das pessoas no Natal, em especial sobre dar e receber presentes.

Um estudo britânico da Universidade de Bath resolveu investigar o efeito psicológico de dar dinheiro como presente de Natal. Analisando 92 pessoas, chegaram a uma conclusão interessante. Para ter o melhor impacto psicológico, tanto em quem dá quanto em quem recebe, o presente precisa simbolizar a importância que elas têm uma para a outra. Ao contrário, segundo a pesquisa, o dinheiro não consegue transmitir isso. Pior ainda: ele parece carregar, implicitamente, mensagens equivocadas sobre status e poder (“Eu posso mais do que você”). Que chato, hein? Então, DICA UM: não dê dinheiro de Natal. Arranje um tempinho e escolha bem os presentes.

Pode dar trabalho, mas quem mais ganha ao dar um presente É VOCÊ! Pelo menos é essa a conclusão de uma grande pesquisa da Universidade de British Columbia em associação à Escola de Administração de Harvard. O estudo resolveu investigar se o dinheiro traz felicidade. A conclusão da pesquisa é que o dinheiro que você ganha, ou gasta consigo mesmo, é menos efetivo em lhe trazer felicidade do que o dinheiro que você gasta com as outras pessoas. Então, DICA DOIS: bancar o Papai Noel faz bem para a sua saúde mental.

Por falar no bom velhinho, um outro estudo quis descobrir porque a gente continua com essa farsa arquitetada pela Coca-Cola em 1931 – ou você não reparou ainda que as cores do Papai Noel são as da garrafa de Coca-Cola? Pois bem, não se sinta culpado. O refrigerante deu um empurrão, mas o mito é bem mais antigo. Ele veio sobrevivendo às mudanças culturais, teve origens pagãs (nórdicas), protestantes e católicas (também, mas não somente, com São Nicolau). Segundo a psicologia junguiana, esse mito durou tanto porque ele fala de verdades profundas da alma humana. No caso do Papai Noel, ele personifica a bondade, a confiança em um ser supremo, a recompensa pelo bom comportamento, a felicidade em doar e etc. Segundo alguns pesquisadores do tema, não seria ruim manter esse mito entre as crianças, visto que as incentiva a terem boas atitudes. No entanto, o desenvolvimento cognitivo delas vai fazer com que elas comecem a duvidar naturalmente, até que elas mesmas chegarão à conclusão inevitável. Quando isso ocorrer, mais uma DICA: não trate do Papai Noel como uma traição ou uma mentira. Ajude a criança a entender a verdade por trás do mito, e como esse senhor barbudo representa a magia natalina. E Bom Natal!

Por MARCELO CUNHA, psicólogo (CRP04/48283), terapeuta familiar, especialista em Psicologia Analítica e membro do Núcleo de Estudos do Sonho da SBPA/SP. Tel.: (35) 99822-7500 | 99100-7060 [email protected]