Esta é a pergunta de 1/3 da população mundial. Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, 60% dos brasileiro são obesos, e com um rápido avanço nos últimos anos, especialmente entre os adolescentes.

Dia 4 de março foi o Dia Mundial da Obesidade. Mas para que serve uma data dessas? Com certeza não é para comemorar. A obesidade é um grave problema de saúde pública mundial, e que foi agravado pela pandemia do COVID-19, com o sedentarismo que veio com o confinamento. 4 milhões de mortes são atribuídas à obesidade, anualmente, em escala global. Segundo a OMS, a obesidade e as doenças relacionadas aumentam a chance de morte em 2 vezes, e em 3 vezes de morrer de doença cardiovascular.
E no Brasil a situação não está diferente. Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, 60% dos brasileiro são obesos, e com um rápido avanço nos últimos anos, especialmente entre os adolescentes. Os países menos desenvolvidos têm presenciado um grande avanço da obesidade, devido à falta de informações nutricionais ou sobre a obesidade, e ao barateamento das farinhas e gorduras.

Mas como superar esse mal? Além dos cuidados físicos, relacionados com alimentação saudável e realização de atividades físicas, tem ficado cada vez mais claro no ambiente científico que a obesidade também tem outros fatores importantes, como os psicológicos.

A pesquisadora e psicóloga americana, Marion Woodman, estudou por vários anos os transtornos alimentares. Através de extensa revisão de literatura e casos clínicos, ela conseguiu comprovar que apenas o controle da ingestão de alimentos não é suficiente para gerar emagrecimento, em vários casos. Emoções ou complexos psicológicos podem fazer um corpo com baixa ingestão de alimentos engordar, da mesma forma que outro, com ingesta excessiva, emagrecer, jogando por terra a matemática da contagem de pontos ou calorias.

O Dia Mundial da Obesidade é uma data para chamar a atenção do mundo para essa outra e mortífera pandemia, e para acordar-nos para uma ação interdisciplinar contra esse mal, que leve em consideração cuidados médicos, mais atividade física, mas também, e de forma crucial, um tratamento psicológico que acompanhe o paciente. Não é culpa dele não conseguir emagrecer, ou não evitar a comida em excesso. Não é um problema de força de vontade ou de preguiça. Mas sim, um conflito inconsciente, que o paciente não conhece a causa, mas apenas sofre, na pele, seus resultados. Uma doença que precisa de compreensão e acolhimento, e uma ação coordenada dos aparelhos de saúde e das famílias, que cuide do corpo e da alma dos pacientes.

Por MARCELO CUNHA, psicólogo (CRP04/48283), terapeuta familiar, especialista em Psicologia Analítica e membro do Núcleo de Estudos do Sonho da SBPA/SP. Tel.: (35) 99822-7500 | 99100-7060 [email protected]