Há 32 anos, ele se tornou itajubense de coração e aqui construiu a sua vida: conheça um pouco sobre a história do médico e empreendedor Dr. Bob

Roberto Garcia Sorgi – o Dr. Bob -, tem 50 anos de idade e nasceu em Barretos (SP). Itajubense de coração, ele reside no município há 32 anos: “Mais da metade da minha vida”, como diz. Itajubá entrou na vida de Bob quando ele se tornou universitário e escolheu tornar-se médico. Filho único de uma família muito simples – o pai era gráfico e faleceu quando Bob tinha apenas 10 anos de idade, e a mãe merendeira, eles se pautaram pelos bons valores de uma família cristã: “Itajubá me deu graças que eu nem imaginava, como a Elizangela. Nos apaixonamos, casamos e temos uma família maravilhosa com nossos maiores bens: Caio, de 18 anos, e Felipe, de seis. Minha mãe e os pais da Elizangela vivem aqui em Itajubá conosco”.
Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá, Dr. Bob é especialista em cirurgia geral e em cirurgia vascular. Fundou a Clin-Med, empresa especializada em gestão de saúde, e já são 20 anos de atuação na área. “Gosto demais de Itajubá e tenho carinho enorme pela cidade, terra que me acolheu e proporcionou tudo que aconteceu de bom na minha vida”, disse Dr. Bob em entrevista ao GdM. Confira mais a seguir!

Início de Carreira
“Logo que me formei passei num concurso e fui chamado para trabalhar no Paraná. Mas recebi convite para atuar no antigo Hospital Escola e voltei para Itajubá. Aqui realmente iniciei a minha carreira como médico e os desafios foram muitos, principalmente financeiros, pois eu tinha que arcar com o crédito educativo que recebi durante a faculdade. Atuei em Delfim Moreira, Marmelópolis, Cristina, Brazópolis, Santa Rita do Sapucaí e Maria da Fé (até hoje). Também atuei por muitos anos no Ceam, na Mahle e no Sispumi, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itajubá.”

Empreendedorismo
“A Clin-Med é uma empresa especializada na gestão de saúde. São 20 anos de fundação e, hoje, atuamos em 43 municípios: 41 em Minas Gerais e mais dois no estado de São Paulo Somos 1.500 colaboradores diretos e indiretos. O início foi complicado, como é para todo o empreendedor no Brasil. Muito trabalho e uma carga tributária enorme sem contrapartidas dos governos. Havia pouquíssimos recursos no começo. Para você ter ideia, a Elizângela montava as escalas de plantão, uma a uma, na máquina de escrever, de madrugada, depois de ter encarado turno de trabalho durante o dia todo. Quando havia imprevisto, eu que cobria plantões. Nada, absolutamente nada na nossa história veio fácil. E temos muito orgulho disso.”

Elisângela e Dr. Roberto Bob

Projetos Sociais
“Tanto eu como a empresa colaboramos em diversas frentes e temos a responsabilidade social como um dos nossos pilares. Mas prefiro não revelar porque não há necessidade de se divulgar esse tipo de ação. Não queremos mérito por algo que fazemos de coração.”


O Estudante de Medicina
“Cheguei em Itajubá em 1988 para estudar na faculdade. A cidade era menor e as faculdades também eram menores em quantidade de alunos, como a própria FMIt, a Fepi, a Facesm e até mesmo a Efei. Então dava a sensação de que todos os universitários se conheciam e os points eram o Albatroz e o DA Cultural. Havia uma ‘disputa’ entre Medicina e Efei, mas tudo muito saudável. Eu morava na casa da D. Ana, no Morro Chic. Ela era mãe da Fátima, esposa do Dr. Carmo. A amizade começou ali, assim como vários outros colegas que mantenho contato até hoje. Sempre que dava, eu ia de ônibus para a faculdade, tinha uma linha Hospital-Medicina. Como não tinha dinheiro para quase nada, trabalhava como locutor na Jovem FM, professor no Anglo e barman no Albatroz. Época muito boa mesmo! Só tenho boas lembranças. Para você ter ideia, eu tinha cabelo (risos), cortado pelo Menotti. Uma vez ele cortou uma franjinha que fez o maior sucesso entre as meninas e eu era bastante namorador. E eu era magro, viu!w Tenho 1,77 e pesava naquela época 58kg. Hoje não revelo meu peso de jeito nenhum! (risos)”.

Motivação Pessoal e Educação
“Olha, tive a bênção de conseguir crédito educativo naquele período. O crédito vinha e custeava todas as despesas de um estudante. Tenho muito a agradecer a Mariza Mohallem, gerente da Caixa naquela época, que foi minha fiadora. Hoje em dia, a situação é outra com programas que não contemplam todas as necessidades dos estudantes. É muito triste ver um jovem com um sonho e desiludido por falta de recursos. De imediato, talvez haja possibilidade de acordos e financiamento com a própria faculdade privada. Mas creio que a solução está a médio prazo: se o investimento é feito na base, ensino fundamental e médio, os alunos da rede pública têm mais condições de competir de igual para igual com os da rede privada por uma vaga nas federais, porque o que vemos hoje são estudantes de escola particular com maiores notas do Enem e maiores chances nas universidades públicas.”

Empreendedorismo x Pandemia
“Empreender no Brasil, quando o governo é seu sócio-majoritário, não é para os fracos. Parabenizo todos os empreendedores, verdadeiros guerreiros, pela coragem e, principalmente, pela geração de empregos. São os pequenos e médios que mais geram postos de trabalho. Amigos, crises sempre existiram e existirão. Reflitam sobre seu negócio, sobre como podem adaptá-lo à pandemia. E não sofram sozinhos. Sei que deve bater um desespero certos momentos, mas converse com um amigo, familiar e até mesmo seu padre ou pastor. Ter fé é importante para manter a coragem.”

Pandemia de Covid-19
“É impossível prever qualquer coisa. O que estamos vivendo é tão inédito que nem os governantes conseguem tomar decisões 100% acertadas. Estamos trocando o pneu com o carro a 90km/h. Nem sabemos se, mesmo após vacina e tratamento, voltaremos à normalidade como a conhecemos. Mas uma coisa é certa: devemos confiar na ciência, nos proteger e ser positivos. Sem tratamento e vacina, por hora o que nos resta é a prevenção. Higienizar as mãos corretamente com água e sabão sempre que possível ao longo do dia inteiro e usar álcool em gel nos intervalos dessas lavagens e toda vez que tocar superfícies, principalmente fora de casa. As máscaras vieram para ficar e devem ser usadas diariamente e lavadas da forma correta também. Mas, acima de qualquer coisa, manter o máximo distanciamento social possível. Estamos numa situação mais sossegada em Itajubá e região quanto aos números da Covid-19, mas não podemos relaxar. Quem puder trabalhar e ficar em casa, fique. Não exponha você nem quem você ama ao perigo desta doença. Vamos vencer essa batalha mais rápido se todos estivermos unidos quanto à prevenção.”

Polarização Política
“Me considero um humanista. Acho que precisamos começar a avaliar quais as vantagens desses rótulos. Foi a partir dessa rotulação que hoje nos encontramos nessa polarização que só trouxe prejuízos. Não canso de dizer: chega de extremismos, há gente boa e gente ruim em todos os lados. A triste sensação é que estamos diante de um Fla Flu interminável, onde os torcedores querem vencer no grito. E veja bem a que ponto chegamos. Muitos eleitores estão se travestindo de torcedores fanáticos (isso em ambos os lados) onde a paixão pelo time político prevalece sobre o bom senso. Gente, parem de criar políticos de estimação!”

Envolvimento em Política: Razões
“Porque tenho certeza de que posso ser um bom governante para os itajubenses. Conquistei muitas coisas na vida, e todas elas aqui em Itajubá. Tenho extrema gratidão pela cidade que me recebeu de braços abertos. Sinto que tenho muito a retribuir. Além disso, a Clin-Med, que está hoje em 43 municípios, proporcionou que eu conhecesse de perto os sistemas de saúde de cada um deles, me levando a crer que é possível fazer muita coisa boa aqui em Itajubá. Ou seja, a minha vida profissional como médico e empresário também me levou à política. Sobre a campanha para deputado estadual, hoje vejo que foi um preparo para este chamado que estava por vir: Itajubá em 2020.