Agora, mais do que nunca, o artista tem que se estabelecer no meio digital.

Após meses de espera, a música está voltando aos palcos. Aos poucos, as regras de distanciamento social estão sendo relaxadas e grande parte do público está se juntando como se a pandemia tivesse acabado, mesmo frente aos números crescentes de casos e óbitos na região do Sul de Minas.

Por outro lado, entendo bem o aperto que os artistas de nossa comunidade têm passado frente à crise ocasionada pela pandemia. Existem muitos que dependem quase que exclusivamente de apresentações ao vivo. Eu não vivo da música. Faço porque eu amo. Por isso, não julgo meus contemporâneos que estão retomando as apresentações ao vivo – desde que seja feita de maneira consciente e responsável – no entanto, nós d’Os Gringos ainda não chegamos neste ponto.

Isso não quer dizer que falte vontade. Muito pelo contrário, ansiamos pela oportunidade de voltar a tocar na frente de grandes (e pequenas) aglomerações (palavra que tomou uma conotação negativa nestes tempos pandémicos). Porém, nós não sentimos confortáveis com este cenário por enquanto. Tanto é que nós temos evitado até encontros pessoais e ensaios desde Março.
Para muitos artistas, o cenário atual e o futuro próximo de apresentações ao vivo será apenas virtual, conforme muitos especialistas. Grandes nomes do ramo artístico ao redor do mundo têm recorrido aos palcos online como uma maneira de sobreviver e manter seus projetos.


No longo prazo, não posso afirmar que a tendência online tome por completo o lugar e importância das apresentações ao vivo, mas ninguém pode negar o impacto que causou. Os efeitos irão se pendurar por um tempo ainda. Agora, mais do que nunca, o artista tem que estabelecer-se no meio digital. Isso é um fato que nosso projeto está encarando, junto às centenas de milhares que enfrentam um cenário de poucos palcos, muita contaminação e muita vontade de viralização.
Envie suas sugestões de pauta, críticas, comentários ou elogios por e-mail.


Por DANIEL FRIEND, guitarrista da banda Os Gringos, pai do Nicolas e colunista do GdM
[email protected]