Organização, domínio e auto-gerenciamento: está na hora de se organizar, se complementar e se completar.

Como muitos artistas nesta pandemia, tenho enfrentado novos desafios quanto ao projeto de música autoral que faço parte. Nós, d´Os Gringos, estamos tomando cuidado, sem ensaios presenciais, compondo e colaborando à distância, e compartilhando por meios digitais. Comentei na minha última coluna que o grupo do Whatsapp da banda está repleto de novas ideias e retomando atividades.
Às vezes é uma enxurada de criatividade. Como podemos direcioná-la sem desvios ou devaneios? Em termos de produção de fonogramas (vulgo músicas), não sou o integrante mais técnico do grupo. Componho minhas linhas de guitarra, as vezes ajudo com as letras e arranjos, e contribuo com ideias para acabamento da faixa final. Em momento algum eu coloco a mão na mixagem. No entanto, eu consigo contribuir ao andamento do projeto, trazendo algumas técnicas de gerenciamento de projeto do meu meio profissional e industrial para nossa realidade artística.
Uma planilha talvez não soe como o empreendimento mais artística e autoral, mas temos adaptado estas ferramentas para nossa utilização na banda. Uma matrix com todas as faixas do terceiro álbum, e todos os instrumentos, desde vocal até escaleta, que as compõem, possibilita que nos enxerguemos onde direcionar as atividades, quem precisa estar gravando, ou acabando composições. E assim, vemos onde nós estamos e aonde queremos chegar.
Tenho a sorte de conviver com pessoas altamente criativas dentro da própria banda e ao nosso redor, e me considero capaz de estar atuando no meio delas, mesmo não vivendo da música que produzo. Sempre tive uma cabeça dividida entre o artista que eu sou e o profissional que tenho que ser. Certa vez anos atrás descrevi para nosso guitarrista e produtor musical, Jimmy, que eu sempre me via como um exército dividido no campo de batalha, com duas bandeiras rasteadas em duas fronteiras.
Na época, isso soava como uma reclamação por não poder viver da música. Hoje vejo isso como uma espécie de sorte, de poder complementar ao projeto com meus dons profissionais, que talvez não pareçam pertencer ao mundo criativo. Ao longo de seis anos juntos, nós da banda temos aprendido a complementar um aos outros, e é só assim que nossas obras se completarão.
Envie suas sugestões de pauta, críticas, comentários ou elogios! Confira o e-mail abaixo!

Por DANIEL FRIEND, guitarrista da banda Os Gringos, pai do Nicolas e colunista do GdM
[email protected]