Grupo itajubense se organiza para lutar pelos animais abandonados no município.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, no Brasil, existam cerca de 30 milhões de animais abandonados. São 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos sem qualquer tipo de tutela. Com cálculos aproximados, a entidade estima ainda que para cada cinco habitantes de grandes cidades brasileiras exista um cachorro de estimação. Destes, 10% encontram-se em estado de abandono. No interior a situação pode ser ainda pior, com o número de abandonados chegando a ¼ da população humana.
Dentro desses parâmetros, estima-se que a população de cães abandonados em Itajubá, no Sul de Minas, seja de no mínimo 2 mil animais.O número é alto, mas não surpreende quem está acostumado a lidar com assunto, como a protetora R.A., que prefere não se identificar. “Está bem na nossa cara. Todos os dias, o dia todo e em todos os bairros tem bicho perambulando sozinho. É de partir o coração não conseguir resgatar esses animais. Isso deveria ser levado a sério pelo poder público”, desabafa.
R.A. não está sozinha. Junto a ela, dezenas de itajubenses se auto intitulam protetores de animais. Do pratinho de ração e vasilha de água na porta de casa ou do comércio ao resgate de um animal atropelado, essas pessoas encontram tempo em sua rotina e dinheiro no bolso para atender aos pets de rua. “Como passar pela rua e ver um bichinho precisando de algo e não fazer nada?”, questiona V.S. que já perdeu a contas de quantos animais resgatou e abrigou.
De acordo com a American Humane Association, organização americana de estudos e proteção aos animais, a reprodução canina se dá em progressão geométrica. Isso significa que um casal de cães ao longo de 10 anos pode chegar a gerar mais de 80 milhões de descendentes.
E é por isso que protetores na cidade se reuniram para debater propostas de amenização do problema. “A gente sabe que é difícil resolver, mas precisamos unir forças para tentar diminuir o abandono, não dá para ficar enxugando gelo”, diz R.A.. Foi criado então o grupo Meninas na Causa, dedicado à causa animal. “Não somos uma ONG. Somos cerca de 10 voluntários anônimos que não recebem qualquer tipo de remuneração para realizar estudos, coleta e apuração de informações para ajudar a diminuir o número de cães e gatos abandonados no município”, diz um dos membros.
O anonimato dessas pessoas tem motivo. “Protetor que se expõe acaba com uma carga muito pesada nas costas. Como a causa não é prioridade dos governantes, sobra para cidadãos comuns. Há protetor com sérios problemas financeiros e de saúde”, revela R.A.
E daí surge um dos objetivos do Meninas na Causa: a participação na política local. “Sabemos que somente através de nossa atuação organizada podemos promover debates que gerem resultados efetivos a favor do bem-estar animal. Mas deixo claro que não estamos ligados a partido algum, estamos ligados à causa”, enfatiza R.A.
Para informações e acompanhar as ações do grupo, é só acessar Facebook.com/MeninasNaCausa. E o mais importante: #NãoCompreAdote.

Por LUCIANA MOHALLEM Jornalista e colaboradora nesta edição de agosto para o Guia da Mantiqueira.