Aluno da UNIFEI de Itabira desenvolve mapa de competências para retenção de conhecimento nos projetos especiais conduzidos por universitários

Mapear o conhecimento tácito de integrantes de uma equipe universitária de construção de um veículo fora de estrada, conhecido como Baja; identificar as carências de uma equipe com grande rotatividade entre seus membros e propor alternativas para a retenção do conhecimento. Com essa proposta, o estudante Rodrigo Augusto dos Santos, do curso de Engenharia de Saúde e Segurança da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), no campus de Itabira, e seu orientador, o professor Raoni Rocha Simões, do Instituto de Ciências Puras e Aplicadas (ICPA), apresentaram uma metodologia que pode ajudar projetos especiais conduzidos por universitários a otimizarem a retenção de conhecimento.

 Em seu trabalho, Rodrigo Augusto parte do princípio de que a Equipe Mountain Baja traz o dilema da alta rotatividade entre seus membros. Assim, quando o estudante adquire conhecimento e competência, normalmente é hora de deixar o grupo devido a outros compromissos na Universidade. Por meio da iniciação científica, o aluno Rodrigo procurou realizar um mapeamento de competências do grupo. Além disso, sua pesquisa propõe que o conhecimento permaneça retido na equipe, mesmo com a alta rotatividade.

 O estudo surgiu da iniciativa conjunta entre a Equipe Mountain Baja  e o Curso de Engenharia de Saúde e Segurança. Além disso, a pesquisa conta com a parceria do curso de Engenharia de Produção, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 O trabalho demonstra que o conhecimento de todas as pessoas é, muitas vezes, incorporado e difícil de ser verbalizado. Em termos práticos, o aluno construiu, junto aos membros da Equipe Mountain Baja, um mapa de competências, de maneira que eles próprios responderam o que é ser um piloto, um projetista ou um planejador, por exemplo, ou em outras palavras, quais características de cada função do projeto e quanto tempo de prática deve-se ter nela para que o indivíduo seja considerado experiente, intermediário ou novato. Desse ponto em diante, o objetivo foi gerir as competências mapeadas, observando o perfil de cada membro, de acordo com as atribuições do projeto.

 Nas palavras de Rodrigo, o artigo produzido aborda o papel do coletivo na transmissão do conhecimento e questões da aprendizagem, trazendo a possibilidade de identificar saberes que partem da experiência do indivíduo, numa gestão do conhecimento baseado na prática de sua atividade real, nos modos próprios de fazer e particulares à situação na qual estão inseridos. A consequência tende a ser o reconhecimento formal da experiência dos trabalhadores e resultados de segurança, operacionais e econômicos.

 De acordo com o aluno, relacionar os conceitos de competência entre gestão do conhecimento tácito e ergonomia pode oferecer, além de colaborações teóricas, contribuições para organizações relacionadas à concepção, ao desenvolvimento e à preservação dos diversos tipos de saberes existentes no contexto de trabalho.

 Para o professor Raoni, o Projeto Baja, como acontece em várias universidades brasileiras, possui poucos estudos e artigos relevantes. Ele entende que a problemática dos alunos que se desligam com certa frequência do projeto e a ausência de uma gestão do conhecimento também são gerais e, dessa forma, o artigo produzido se torna um dos pioneiros e também uma referência sobre o tema.

 Ainda de acordo com Raoni, o impacto da pesquisa é enorme, uma vez que, por meio dela, os participantes do projeto podem se identificar no processo, bem como perceber as carências de competências, o que orienta os futuros processos de seleção. Segundo o professor, em função disso, o projeto ganha em desempenho e segurança.

 O artigo “Pilotando a experiência: o mapeamento das competências baseado na análise da atividade do Projeto BAJA” foi publicado no Laboreal, periódico internacional na área da Engenharia de Saúde e Segurança, e pode ser acessado pelo link https://journals.openedition.org/laboreal/16031.

Fonte: Secom Unifei