Ananda e Gabriel são namorados e responsáveis por um dos murais urbanos que Itajubá ganhou com a Lei Aldir Blanc.

Quem anda pela passarela Samuel Moura, entre as ruas Dr. João de Azevedo e Cel. Carneiro Júnior em Itajubá, se depara com o colorido chamativo em uma das paredes do local. E, mesmo com a correria do dia a dia, é impossível não se identificar com o retrato de três personagens que fazem parte da história da cidade: Donizete da pamonha, D. Maria da pipoca e Beth da padaria.
“A intenção é essa mesma: se identificar e pertencer”, afirma a artista e arquiteta Ananda Martins, sob pseudônimo A.Mar.t no Instagram. Ela e o namorado, o geógrafo Gabriel Simpson, foram contemplados na primeira edição da Lei Federal Aldir Blanc (que visa dar apoio financeiro a artistas prejudicados com a crise da Covid-19) em Itajubá ao final de novembro de 2020.

Entre as exigências do edital, era necessário que o projeto estivesse relacionado à história e cultura da cidade. “Quando a gente se pergunta quem é importante em Itajubá, são exatamente pessoas como a Beth, o Donizete e a D. Maria, que fazem parte da vida de todos nós, itajubenses”, explica Ananda.

O casal também revela como se deu o processo de pesquisa e criação do mural “Percepções Topofílicas…A arte de pertencer”. Como geógrafo, Gabriel foi responsável pelo embasamento teórico. “A Geografia Humanista aborda as questões sensitivas, culturais e afetivas. E isso tinha muito a ver com nosso conceito”, diz.

Após meses de estudo e planejamento, Ananda partiu para o esboço em papel e depois para o mural, que possui 2,40m de altura por 15m de comprimento. “Foram cerca de cinco semanas de trabalho apenas na pintura”, diz.

E após a pincelada final, o casal se lembra dos dias em contato com quem passava por ali. Durante esse processo, dezenas de pessoas, de alguma forma, “participaram” da obra. “Muita gente pedia para tirar foto conosco e nos cumprimentava. Houve muitos elogios e reconhecimento”, diz Ananda.

Mas uma das pessoas que passaram por ali emocionou o casal. “Esse rapaz estava atrás da gente e deu boa tarde. Nós respondemos e continuamos. De repente, olhamos para trás e ele continuava a acompanhar, até que disse: ‘Esse aí é meu pai. Está igualzinho’. Era o filho do Donizete aprovando a nossa obra. Não há nada mais gratificante”, conta a artista.

Por LUCIANA MOHALLEM, Jornalista (MTb 74.946/SP) e colaboradora do Guia da Mantiqueira.