Fundada por Ronaldo Pereira, a produtora possui uma bagagem ampla e voltada para a educação, a música, o meio ambiente e o resgate da diversidade cultural

O ano era 2006. O grupo musical Ré Mi Fó, que recolhia e mantinha canções tradicionais e composições de músicos da região, se apresentava em cidades do Sul de Minas e do Vale do Paraíba. Com os trabalhos em evidência, surgiu a necessidade de se profissionalizar cada vez mais. Nascia assim, há 15 anos, a Ré Mi Fó Produções, empresa criada por Ronaldo Pereira com o objetivo de fomentar a cultura e as artes em Itajubá e na região.

Ronaldo Pereira

O primeiro projeto da Ré Mi Fó foi em parceria com o maestro Amaury Vieira e a Prefeitura de Itajubá e se chamava “Canto Coral nas Escolas”. Durante 12 anos, atendeu a cerca de mil crianças por ano, em todo o município. Por meio de outras parcerias com o maestro e outros profissionais, a Ré Mi Fó já realizou diversos projetos via leis de incentivo à cultura nos âmbitos municipal, estadual e federal em várias cidades sulmineiras. Quem não se lembra do “Natal no Campus”, em parceria com a Unifei, e que trouxe belíssimas atrações culturais para Itajubá, de 2010 a 2014? A Ré Mi Fó também teve importante participação em duas edições do projeto “Laboratório Coral”, outra iniciativa do maestro Amaury; e foi mantenedora do “Coral Mantiqueira” e projeto “Castelinho”, ações que fizeram parte de projeto “Fábrica de Sons”. Outra atuação importante da produtora foi no Festival Integrado de Cultura e Arte (FICA), idealizado pelo professor da Unifei, Paulo Nunes, e essa parceria resultou na “Caravana Rural”, que consistia em levar cultura e arte para escolas rurais de cinco municípios do Sul de Minas.

Falar da Ré Mi Fó é lembrar da co-realização do Festival Café com Música, em Cristina, desde 2018, e da produção de shows para artistas, como Daniela Lasálvia e o caiçara Luís Perequê. Além disso, a Ré Mi Fó foi registrada na ANCINE como a produtora dos documentários “Projeto Canto Coral nas Escolas”, “Folia de Reis Fulô da Mantiqueira”, “Sonhos”, “Mutirão de Cantigas Decio Marques”, o curta “Carlinhos Luthier” – exibido no Festival Ciranda de Filmes -, e mais de 20 teasers de cobertura de projetos culturais e socioambientais.

Mutirão da Vida
Uma das iniciativas mais recentes da Ré Mi Fó aconteceu em 2020 e foi a criação do projeto “Mutirão da Vida”. O objetivo desse projeto foi trabalhar o envolvimento da comunidade, de professores e alunos de escolas públicas por meio de atividades que despertam o amor e o respeiro pelos recursos naturais. Para isso, foram desenvolvidas oficinas sobre os temas: “Pedagogia Ambiental”, “Água”, “Reflorestar”, “Compostagem” e “Luthieria”, e os municípios beneficiados foram Itajubá, Cristina, Borda da Mata, Caldas e Maria da Fé. Duas oficinas foram incluídas na V Conferência Nacional lnfantojuvenil pelo Meio Ambiente, organizada pelos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, com apoio da UNESCO.

Água: Essa oficina, que trabalhou com os alunos da rede municipal de ensino e alunos da APAE, no município de Cristina, foi ministrada pelos artistas e arte-educadores Daniela Lasalvia, Nádia Campos e Fernando Guimarães. Os alunos participaram diretamente da criação artística e compuseram, coletivamente, um hino ambiental para cada escola.

Pedagogia Ambiental: Realizada por um dos maiores educadores do Brasil, autor de 83 livros, além de mais de 200 teses de doutorado e artigos, o antropólogo Carlos Rodrigues Brandão levou os professores a enxergarem a proposta da educação ambiental, com outros olhos, e a engajá-los no trabalho, que mais que uma necessidade de classe, é uma necessidade de vida.

Reflorestar: Oficina ministrada pela engenheira florestal, Lívia Cristina Pereira Barros, natural de Cristina e que desenvolve esse trabalho em fazendas de sua família e há resultados ímpares. A oficina participativa teve o objetivo de levar as crianças e colaboradores de cada escola a adotarem uma mina de água, margem de rios, recompôr corredores ecológicos e arborizarem espaços ociosos dentro da própria escola. Foram trabalhadas desde a coleta de sementes na natureza, o preparo dessas sementes, a produção de mudas e o replantio. Os participantes aprenderam sobre o bioma local e a importância de repôr esse bioma da maneira mais fiel possível, beneficiando a fauna e a flora.

Compostagem: Leopoldo Matozinho foi responsável por ensinar os alunos e professores a utilizar resíduos orgânicos das escolas para criar composteiras termofílicas em leiras estáticas. Essas composteiras trabalham com sistema aeróbico, o que impede a proliferação de mau cheiro em ambiente escolar e as temperaturas conferem adubo orgânico como resultado. Ao lado das composteiras foram feitas hortas, também orgânicas. O objetivo da oficina também foi diminuir a quantidade de resíduo despejado nos aterros sanitários; economizar com a redução da coleta através de caminhões do município, ação que impacta na emissão de poluentes; diminuição de queima de combustível fóssil; redução de gastos na compra de produtos para merenda escolar; produção de alimentos orgânicos para o lanche dos alunos e conscientização dos mesmos, além de colaboradores e familiares.

Luthieria: A oficina ministrada pelo luthier, músico, compositor e arranjador Fernando Sardo, foi realizada com crianças com mais de 10 anos de idade. O objetivo foi mudar o olhar sobre o resíduo sólido e demonstrar que ele pode se transformar em peças sofisticadas, como violoncelo, violino, violão, flautas, percussão, e que tais peças podem emitir sonoridades muito próximas dos tradicionais e ter afinação muito precisa. A ação foi acompanhada pelo maestro João César da Silva, que rege a corporação musical Antônio de Freitas Carvalho, centenária em Cristina. Fernando possui peças em exposição no Canadá, Ouro Preto, São Paulo e projetos com crianças, jovens e adolescentes de várias partes do país, destacando-se o Grupo GEM, que surgiu a partir de uma de suas oficinas. Ele estimulou as crianças para a criação coletiva de música instrumental, desmistificando o caráter erudito do segmento. Também houve a apresentação de palestras para pais, crianças e colaboradores sobre a importância do conhecimento da procedência do resíduo, bem como sua higienização e desinfecção para posterior manejo.

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