Em confinamento, os artistas estão se dedicando a novos processos de inovação e composição. Quando a pandemia passar, haverá uma explosão de novidades!

Quanto aos projetos autorais, admito que tinha andado um tanto desanimado destes tempos para cá, devido às circunstâncias atuais. Bem no momento em que nós d’Os Gringos estávamos voltando para as atividades após de um hiato estendido; e logo após de ter participado de congressos sobre a cena de música independente; e justo no meio de uma sequência de lançamentos bem trabalhados, a COVID-19 chegou e derrubou todo o mundo.
Neste período, me permiti a ficar recluso pela primeira vez faz muito tempo. Saí das contas das mídias sociais da banda por um tempo. Me preocupei menos com os números de streaming. Desliguei dos planejamentos dos próximos passos do projeto. Afinal de contas, estava na espera da chegada do meu primeiro filho, Nicolas Vincent; trabalhando feito um louco em casa – estilo “home office” – e simplesmente tentando esquecer um pouco desse golpe avassalador que o vírus aplicou no ano 2020.
Essa hibernação do projeto possibilitou o recarregamento das minhas energias criativas: treinei mais o violão e aumentei meu repertório de música cover, compus novas músicas e retomei outras atividades criativas, principalmente na escrita, na cozinha e com a aprendizagem de um novo idioma. E me parece que não estou sozinho. Recentemente o grupo do Whatsapp da banda está fervilhando com mensagens de novas gravações, técnicas inovadoras de mixagem e músicas inéditas para lançamentos próximos. Vejo inovações de vários artistas e projetos.
Quando começou a quarentena, e a onda de cancelamento de shows e eventos grandes pelo mundo nos inundou, vi uma postagem que disse que após este período de confinamento, haveria uma explosão de lançamentos lindos do setor artístico, como nunca havíamos visto antes. Obrigados a ficarem em casa, sem plateia presencial para compartilhar sua arte, os artistas irão se dedicar ao processo intimista de inovação e composição.
Escrevo essa coluna no dia 20 de junho de 2020, no solstício de inverno. Apesar de detestar o frio, sempre consigo tirar certa esperança desta data do dia mais curto do ano. A partir de hoje, os dias ficam cada vez mais longos, o sol irá brilhar por mais tempo todo dia, e logo em seguida chegará a primavera com novos ares e nova vida. Vejo o cenário musical e para artistas independentes da mesma maneira. Mesmo que não chegue junto com a primavera deste ano, vejo uma boa colheita no outro lado desse olho do furacão.
Envie suas sugestões de pauta, críticas, comentários ou elogios para o e-mail.

Foto Daniel: Sven Wisnaes

Por DANIEL FRIEND, guitarrista da banda Os Gringos, pai do Nicolas e colunista do GdM
[email protected]