Onças, jacarés, pássaros e as encantadoras corujas são fotografadas por Belmira McLeod revelando todo o encanto e beleza da fauna brasileira.

A natureza, suas maravilhas e mistérios despertaram e continuam a ser o “foco” da paixão da fotógrafa Belmira McLeod. Nascida em Manaus, Amazônia, onde passou a infância e adolescência, ela veio morar em Itajubá em 1998, acompanhando o marido em uma nova jornada profissional. A relação de Belmira com a fotografia começou cedo, por volta dos 19 anos, quando comprou sua primeira câmera fotográfica. A profissionalização veio em seguida e, hoje, ela nos presenteia com imagens surpreendentes. Confira a entrevista com Belmira McLeod para o Guia da Mantiqueira!

“Corujas são pássaros fascinantes”, diz Belmira McLeod


A Fotografia
“Minha relação com a fotografia começou ainda na adolescência por conta das aulas de pintura e desenho, estudei arte quase que minha vida inteira, e a fotografia faz parte desse universo. Comprei minha primeira câmera quando tinha 19 anos. Uma analógica simples da época e que ia para todo lugar comigo. Comecei a me profissionalizar em 2005 quando resolvi fazer faculdade, já atuava na área gráfica a mais ou menos 11 anos e então resolvi fazer faculdade de design gráfico. Como já fazia algumas fotos para a agência de publicidade na qual eu trabalhava na época, resolvi levar a fotografia realmente a sério. E o que era só um hobby virou profissão.”


O Foco
“Dentro dos segmentos da fotografia, meu estilo é a fotografia de natureza, não tenho preferência por fotografias coloridas ou em preto e branco, gosto de explorar. Algumas fotografias ficam muito bonitas em preto e branco, outras nem tanto. Uma das características das minhas fotos são o foco bem definido no assunto principal e o meu segundo e terceiro plano bem desfocado.”


Natureza e Profissão
“Uma paixão puxou a outra. Não tinha como ser diferente já que nasci e fui criada em meio à natureza, na selva Amazônica. Sempre me interessei pelo habitat e pelos animais. Corujas em especial. À medida que meus conhecimentos e minhas referências em fotografia foram crescendo, fui descobrindo que podia juntar essas duas paixões, fotografia e natureza. Que a fotografia me permitia estar na natureza observando, apreciando e registrando paisagens e animais.”


As Corujas
“As corujas sempre me fascinaram por sua beleza e seus mistérios, seus cantos que para muitas pessoas parecem sinistros, daí vem todas as superstições em relação as corujas. Corujas são pássaros fascinantes, a maior parte das espécies passa o dia escondida nas densas folhagens das árvores ou entocadas em buracos ou troncos ocos de árvores. Normalmente, estamos cientes de sua presença somente pela sua vocalização. Por causa de seus hábitos noturnos as corujas estão associadas, por pessoas supersticiosas, como aves de mau agouro. Infelizmente, por falta de conhecimento, as pessoas não sabem que elas são um ótimo indicativo de preservação do meio-ambiente onde elas habitam e são excelentes nos controles do que chamamos de pragas, especialmente ratos. O que leva a morte de muitas corujas em áreas urbanas por conta das superstições. Porém, as corujas sempre estiveram associadas desde a Grécia Antiga, a sabedoria. Na mitologia grega, o mocho-galego (Athene noctua) tradicionalmente representa ou acompanha Atena, a deusa virgem da sabedoria. O seu vôo totalmente silencioso e sua visão e audição extremamente apurada sempre me encantaram.”


O Momento da Foto
“O preparo começa com o planejamento, pois a maior parte das corujas tem hábitos noturnos, preciso pensar na segurança, roupas, proteção para cobras, topografia do local. Em seguida o preparo do equipamento, câmera, flash, tripé, lanternas… Não há uma noite ideal, mas normalmente, no seu período de reprodução elas estão mais ativas o que facilita a localização. Há locais que chamamos de ponto x, onde as corujas dormem ou se alimentam. Eu fotografo mais as Buraqueiras, cujo nome cientifico Athene Cunicularia remete novamente à Deusa da Sabedoria Atena, por elas serem uma espécie bem comum no nosso hemisfério. Podem ser encontradas desde o Oeste da América do Norte até o Sul da Terra do Fogo (Patagônia). Outra razão pela qual as Buraqueiras serem a espécie que eu mais fotografo, além de serem muito graciosas, elas têm hábitos diurnos, ou seja, são muito ativas durante o dia, o que facilitar a sua observação e me permite fotografar sozinha. Fotografar as espécies que são estritamente noturnas sozinha é um pouco mais complicado por questão de segurança.”


Histórias que Marcaram
“Para fotografar animais é preciso realmente gostar de estar na natureza e ter respeito pela natureza e pelos animais. Medo, não. Eu sempre falo que eu tenho respeito pelo animal, medo não. Tenho muitas histórias engraçadas, depois de passado o susto inicial. Como quase pisar numa cobra peçonhenta no meio de uma trilha e estar sem proteção nas pernas. Um barco quebrado na frente de uma onça, sentar em formigueiro por distração enquanto fotografava corujas, voltar pra casa coberta de carrapatos, um grito de emoção que dei quando avistei uma onça o que me rende até hoje algumas piadas de um grande fotógrafo de natureza. E muitos outros momentos de muita emoção.”


O Pantanal
“Já fui para o Pantanal algumas vezes, um lugar maravilhoso. É um trabalho incrível. Infelizmente o Pantanal passa por um momento terrível, e por mais triste que seja a situação, adoraria estar lá para registrar. Nunca fiz fotos nessa situação. Mas, passamos por um momento complicado também, por mais que eu queira, não é o momento para viajar.”

Boiada no Pantanal


Conselho e Novos Projetos
“Estudar! Estudar muito. Esse é o conselho que eu dou para quem quer começar em qualquer segmento. Estudar muito e sempre. E tenho alguns novos projetos sim. Minhas fotos estão em processo de curadoria para esses projetos, que no momento estão parados por conta da pandemia, sem data para serem retomados. Sobre os cursos de fotografia em Itajubá, No momento não estou dando aulas devido a situação econômica da região e agora, ainda mais agravado pela pandemia. Quando essa situação melhorar, é provável que retome as atividades, mas possivelmente em um formato diferente do meu antigo curso.”

BELMIRA McLEOD | Tel.: (35) 99164-0162 | E-mai: [email protected]

/belmiramcleod | /bel.mcleod | /belmira_duarte