Elas venceram o câncer de mama e, neste Outubro Rosa, vão compartilhar o melhor da Primavera: o florescer!

“Você só descobre sua força quando a única opção é ser forte”
Foi no banho em 2011 que Alaíne Salles percebeu três nódulos na mama esquerda. Com 36 anos na época, o sentimento foi de angústia. “Senti raiva e medo, afinal era mãe de três”, conta. Ela fez tratamento por um ano, além da mastectomia. Apesar disso, Alaíne considera ter tido sorte se comparada a outros pacientes com quem conviveu. “Conheci diversas pessoas que, além de ter que enfrentar a doença, tiveram dificuldades financeiras o que agrava o processo uma vez que o paciente não sabe se vai conseguir se tratar ou não. Chega ao ponto do paciente ter mais certeza da morte que da vida e acaba morrendo um pouco a cada dia”, lamenta.

Hoje, aos 45 anos e plenamente saudável, Alaíne passou por reconstrução da mama e sente-se confiante com o resultado. Mas não foi só isso que mudou em sua vida. “O câncer me ensinou a confiar mais em mim, a ser eu mesma, a acreditar nos meus sonhos e ser uma pessoa melhor, afinal, você só descobre a sua força quando a sua única opção é ser forte!”, finaliza. Alaíne compartilha sua história de superação em facebook.com/alaine.pereira.33 divulgando a importância do autoexame e mamografia, além de dar dicas práticas e uma palavra amiga. “Dividir o fardo alivia para quem fala e para quem escuta. Só quem passou sabe”.

Alaine

“Descobri uma mulher que nem sabia que existia”
Aos 27 anos, Tânia Peres percebeu um gânglio dolorido na axila esquerda. Um ano depois sentiu a mama alterada e uma secreção. Em 2005, o diagnóstico: carcinoma de mama com 8,5 cm. “Senti medo de não ver meu filho crescer. Depois, com fé em Deus, determinei que ia fazer o que fosse para ficar bem. O apoio do marido à época, da família e amigos foi fundamental. Meu filho Gustavo foi minha maior motivação e fonte de energia para aguentar tudo”, conta.

Com tratamento em Poços de Caldas, ela passou por quimio, mastectomia e radioterapia. No ano passado, Tânia se deparou novamente com o câncer. “Agora na mama direita e mais mastectomia, radio e quimio. Estou terminando o tratamento e tenho muita fé em Deus”, diz. Sobre a mastectomia e perda de cabelo, Tânia mostra uma riqueza de caráter inspiradora. “Não sofri com isso, pois queria ficar curada. No começo foi difícil olhar no espelho, mas logo deu pra encarar. A gente fica forte e descobre uma mulher que nem sabia que existia”, revela.

Vitoriosa, Tânia dá a dica: “Não tenha medo do diagnóstico. Tenha medo de não diagnosticar no começo, pois quanto antes, mais chance de recuperação. Por isso é importante fazer o autoexame e as mamografias. Tenha fé e força de vontade pra encarar o tratamento. Tudo passa!”

Tânia

“Nunca me dei por vencida”
Foi em exame de rotina que Sheila Cristina descobriu o câncer na mama esquerda. Aos 52 anos ela venceu a guerra unindo a fé em Deus à esperança na ciência. “Tive certeza que Deus estava comigo”, diz. A paz de Sheila foi necessária para acalmar a médica que havia feito o toque sem identificar o tumor. “Ela ficou arrasada e tive que tranquilizá-la”, revela.
Apesar de importante, o autoexame sozinho é insuficiente para detectar tumores precoces e não substitui a mamografia. Isso porque nódulos perceptíveis ao toque têm cerca de 1cm e, se for um tumor, esse tamanho indica que a doença já passou do estágio inicial.

Foi o que aconteceu com Sheila. O tumor, muito pequeno, só foi identificado com a mamografia. Ela passou pela retirada de parte da mama esquerda, além de quimio e radioterapia. “Nunca me dei por vencida e as equipes da oncologia se surpreendiam com meu bom humor”. Ela conta que a família e amigos, aliados ao alto astral foram fundamentais. E quando se fala em bom-humor, Sheila dá um show até mesmo com o assunto mais improvável. “Os seios ficaram diferentes, mas eu prefiro o esquerdo ao direito. Parece que ficou mais em pé! E o cabelo, quando cresceu depois da queda, ficou muito mais bonito”, conta rindo.

Na expectativa da alta definitiva em janeiro de 2021, após seis anos de batalha, ela continua: “Amo meu médico, mas falei que depois da alta não quero vê-lo tão cedo, entende?”, diz às gargalhadas.

Sheila

Por LUCIANA MOHALEM Jornalista e colaboradora nesta edição de outubro para o Guia da Mantiqueira