Conheça a história de Zé Helder e sua relação com a cidade de Pedralva, inspiração para seu primeiro disco solo.

A Sociedade Musical Eduardo Tenório, em Cachoeira de Minas, foi sede das primeiras lições de música de muitas crianças, inclusive do compositor e violonista, Zé Helder, nascido na acolhedora cidade sulmineira. “Depois de algumas aulas de solfejo comecei com a Chiquinha (ou sax horn em si b) para depois passar para o Clarinete. Esse fora presenteado pelo tio Zi, exímio sanfoneiro que tocava qualquer coisa que lhe dessem, inclusive assobiava magistralmente. Era o tio mais talentoso da família e uma das minhas maiores referências musicais”, conta ele, na biografia em seu site.
Aos dez anos de idade, Zé Helder teve uma das melhores experiências como músico, segundo ele: “Entramos todos em um busão para ir tocar em Itajubá. Pela primeira vez eu saía da cidade pra tocar – e sem minha mãe”, relembra. Aos 15 anos, depois de experimentar alguns intrumentos, o músico foi chamado para participar de uma banda e começou a tocar contrabaixo. “Foi a minha primeira experiência de tocar na noite. Cheguei a acompanhar a Ceumar, Márcia Salomon, além de muitas outras gigs memoráveis com Omar Fontes, Rafael Toledo, grupo Telhado, e minha banda de rock que era a Blues Corporation”, conta Zé Helder.
Paixão pela viola
Foi então que ele decidiu estudar no Conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre (CEMPA). Depois de se formar, passou a atuar como professor e foram oito anos ensinando no CEMPA “Eu tocava na noite, tinha banda de rock, fazia casamento, baile, o que pintasse para defender uma graninha. Ainda me formei em Comunicação Social pela FAFIEP. Algum tempo depois. concluí o segundo curso superior, Licenciatura Plena em Música pelo Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro”.
Foi no CEMPA que Zé Helder teve contato com uma viola Del Vecchio. “Foi um divisor de águas”. A viola permitiu que fluíssem as músicas que ele sempre tentava fazer, mas achava que não tinha jeito pra compor. “Então fui atrás de um professor. Ninguém menos do que Ivan Vilela, que se tornaria meu grande amigo desde o primeiro contato”. Em 2002, Zé Helder se tornou pai de Helena e, no mesmo ano, gravou o seu primeiro CD com o grupo Orelha de Pau. “Éramos eu, Euler Ferreira e Geraldo Jr. e com esse trabalho fizemos muita coisa na TV, muitos shows e festivais. Depois de um hiato de muitos anos, voltamos a fazer alguns shows. O Orelha de Pau nunca foi esquecido pelos fãs”, diz.
Pedralva
Os contatos musicais foram sendo ampliados e, em 2003, o compositor se reaproximou da família paterna e da cidade de Pedralva. “Àquela gente e aqueles lugares tão queridos foram a inspiração para meu primeiro disco solo. ‘A Montanha’ foi gravado em Pedralva e produzido por Diovani Bustamante”, recorda. Ele também ressalta a amizade com a cantora Daniela Lasalvia: “Foram muitos shows juntos, inclusive ela me apresentou a meu parceiro Ricardo Vignini, dono do selo Folguedo, dedicado à música de viola. Comecei a gravar meu segundo disco solo com ele. ‘No Oco do Bambu’ seria lançado em 2009, e durante o processo de gravação começamos a germinar o que seria nosso maior sucesso: o duo ‘Moda de Rock’. Esse disco causou um estardalhaço, viajamos por todo o Brasil, fomos tocar nos Estados Unidos, Argentina, Canadá e México. Fizemos um DVD com participações de Pepeu Gomes, Kiko Loureiro, Robertinho de Recife, Marcos Suzano, Edgard Scandurra, Andreas Kisser e Os Favoritos da Catira”, conta.
Assopra o Borralho
Em seguida, em 2012, eles fizeram o disco ‘Matuto Moderno 5’. Alicerçado em raízes caipiras, o álbum foi gravado no Pedrão, bairro rural de Pedralva, na Chácara Vô Zezinho, propriedade da família de Zé Helder. “Em 2015 lancei Assopra o Borralho, com participações de Alzira E e mais um bocado de gente bacana que me ajudou a fazer esse trabalho. Com Alzira E tive a honra de fazer um show no projeto Êta Nóis, junto com Lucina, Ivan Vilela, André Rass, Paula Pi e grande elenco, na Praça do Patriarca, São Paulo”.
Zé Helder continua atuando como professor no Conservatório Municipal de Guarulhos, onde também já tocou com a Big Band e a Orquestra Jovem no Teatro Adamastor. “É o segundo curso de viola que eu criei, o primeiro foi em Pouso Alegre. E também vivo feliz com minha querida Mariana e o Francisco, que também adora música”. Confira o bate-papo de Zé Helder com o GdM:
Vocação x Viver de Música
“Eu não saberia fazer outra coisa da minha vida. Comecei com menos de 10 anos na Sociedade Musical Eduardo Tenório, a banda de minha Cachoeira de Minas natal e passei por tudo como músico. Acompanhei outros artistas, gravei e gravo muito até hoje, fiz muito barzinho, baile, casamento. Toda vez que tive algum emprego de fora da música sentia como se estivesse mentindo pra mim mesmo. Se a sua pergunta se refere a viver de música hoje, nesse cenário de pandemia, estamos em um momento tão conturbado que é difícil dizer, há muitos músicos fantásticos completamente sem renda. Mas arte sempre foi território de luta.”
Divulgação da Música Online
“Isso já vinha acontecendo. Vejo as lives mais como uma catarse, já que o que um músico gosta mesmo é público, portanto a gente precisa tocar, se sentir em atividade. Mas como alternativa de sobrevivência no mercado acho difícil dizer. Como sempre só quem tem que se sobressair pelo talento ou gestão competente de sua carreira conseguirá sobreviver, e isso já era assim antes desse novo cenário.”
Cadim de Música
“Foi um processo que acompanhei desde o começo com o CAD (Conservatório à Distância). De repente surgiu essa iniciativa de pôr músicos em contato para fazer esse programa de sábado à noite e a adesão de músicos e público foi imensa. Claro que esse projeto podia contar com a competência técnica do pessoal do CAD, não só na qualidade da produção como na gestão das pessoas, coisa que o maestro João César da Silva sempre fez com o Festival Café com Música e outros projetos. Juntando Plínio e Dani se formou uma equipe que tinha toda a condição de sair na frente com essa iniciativa e o fizeram com enorme garra e competência, porque são muitas horas de preparação pra por cada episódio no ar.”
O Futuro
“Tenho meu quarto disco solo, “Os Leões de Aleijadinho” pra ser lançado e estou me especializando em produzir conteúdo online, tanto para aulas como performances. Coisa que eu não fazia, prefiro o contato com o público. Mas enquanto isso permanecer restrito, sigo fazendo minha música”.

www.zehelder.com.br